Durante o Fórum de Infraestrutura Brasil–Suíça 2025, realizado em São Paulo (SP), o presidente da
ABREN (Associação Brasileira de Energia de Resíduos), Yuri Schmitke, apresentou um panorama do setor e
afirmou que o país aproveita apenas 1,5% do potencial de biometano e 5,6% do potencial de
biogás.
Segundo Schmitke, os segmentos sucroenergético e agroindustrial concentram mais de 90%
da capacidade total em ambos os casos.
No painel “Waste-to-Energy e biogás”, o executivo defendeu que ampliar essas fontes é estratégico para a transição energética e
citou o biometano como alternativa relevante para descarbonizar transportes e substituir
diesel e gás natural fóssil.
Ele também observou que a competitividade do biogás depende de uma referência de preços capaz de sustentar
contratos de longo prazo.
Schmitke chamou atenção para gargalos na gestão de resíduos: mesmo após 15 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos,
mais de 40% dos resíduos urbanos ainda seguem para lixões e aterros controlados.
Como comparação, ele citou que China, Japão e países da União Europeia somam cerca de
3.000 usinas de recuperação energética. No Brasil, o potencial estimado seria de 130 usinas de 20 MW,
totalizando 3,3 GW e aproximadamente R$ 180 bilhões em investimentos.
Para destravar o avanço do setor, o presidente da ABREN defendeu uma ação coordenada entre governos e empresas, com foco em
remover entraves e acelerar a implementação de projetos.